sexta-feira, 22 de março de 2013

Sobre a Morte e o Morrer



“SOBRE A MORTE E O MORRER”
ELISABETH KÜBLER-ROSS
Morte e Morrer. Essa é passagem da vida que ninguém em sã consciência deseja vivenciar, seja com relação a si mesmo e com relação a entes e/ou conhecidos queridos. Esse é um assunto que muitos ignoram, receiam e evitam falar, isso porque ninguém quer ver a vida ter um ponto final. A morte é vista como algo desumano, fazendo com que muitas vezes as pessoas se sintam impotentes diante dela, em função que o morrer é visto como algo “solitário, muito mecânico e impessoal...” (Kübler-Ross, 2005). Sobretudo, o homem sempre abominou a morte, e provavelmente, sempre a repelirá.
Mas então, qual será a real diferença ente a morte e o morrer? Talvez possamos dizer que a morte é o fato em si, que todo o ser humano inevitavelmente irá passar. Em contrapartida, o morrer pode ser visto como o processo em que uma pessoa passa até chegar à morte.
E com base em muitos casos e relatos de pessoas em fase terminal de uma doença, pôde ser relatado no livro de Elisabeth Kübler-Ross – “Sobre a morte e o morrer” –, os cinco estágios de enfrentamento que uma pessoa pode passar diante da notícia de uma doença terminal.
Negação e Isolamento: Ao paciente tomar conhecimento de seu estado de saúde, dependendo da tamanha gravidade, a pessoa ativa um mecanismo de defesa chamado negação. Que seria a não aceitação e a rejeição pela enfermidade em que se encontra. Essa negação é comum e natural acontecer, principalmente em pacientes que são informados de sua enfermidade de forma abrupta e/ou forma prematura, sem que o paciente esteja devidamente preparado para o recebimento de tal notícia; isto, devido causar uma desestruturação e um abalo emocional sobre a pessoa. “A negação funciona como um pára-choque depois de notícias inesperadas e chocantes, deixando que o paciente se recupere com o tempo, mobilizando outras medidas menos radicais” (Kübler-Ross, 2005). Comumente, a negação é uma defesa temporária, não permanecendo por muito tempo, sendo substituída por uma aceitação parcial, levando-o ao estado de isolamento; sendo que na medida em que o paciente vai aceitando sua realidade, ele reage.
Raiva: Kübler-Ross diz que quando não é mais possível manter firme o primeiro estágio de negação, ele é substituído por sentimentos de raiva, de revolta, de inveja e de ressentimentos. Mas porque de tudo isso? É totalmente compreensível essa reação dos pacientes em fases terminais, devido ao fato de a vida do sujeito ter sito interrompida por uma doença; onde os planos, os sonhos, as construções e os trabalhos realizados durante toda uma vida não poderem mais ser desfrutados e realizados por causa de uma enfermidade, que a cada dia que passa traz cada vez mais a finalidade dessa vida. Isso concerteza traz dor e sofrimento ao paciente, levando-o à ira e raiva de toda a situação em que enfrenta. C S Lewis diz que “a ira é o fluído que sai do amor quando o cortamos”, nesse sentido, toda a frustração de sonhos rompidos e da ruptura da vida de liberdade, vem à tona por meio da ira pelo “corte” da boa realidade que o cerca para uma vida completamente programada e controlada por médicos e enfermeiras.
Barganha: O paciente utiliza a forma de barganha como uma maneira de prolongar a vida. O sujeito propõe uma “troca” ou tenta fazer “negócios” como uma forma de garantir um tempo a mais aqui; geralmente essa barganha ocorre principalmente com Deus, e também com algumas pessoas ao redor, incluindo os médicos. Muitas vezes com Deus, as pessoas fazem promessas de uma vida dedicada e compromissada à Ele em troca de cura; e com os profissionais de medicina, os sujeitos de posse mais elevada oferecem grande parte de seus bens para que eles utilizem de toda sua ciência em garantia de uma saúde melhor. Nesse estágio, a barganha se torna como a única esperança que eles têm para conseguir algum tipo de evolução e/ou livramento da enfermidade, mas devido o fato de ninguém poder controlar sua saúde e nem mesmo controlar (ou dominar) Deus e as pessoas ao redor, o paciente percebe que não pode fazer nada a respeito e acaba entrando no próximo estágio – a depressão.
Depressão: A depressão ocorre quando o paciente não pode mais negar sua doença, e com isso ele se submete a vivenciar aquilo que a hospitalização exige (como à  cirurgias), onde conseqüentemente dá inicio a um sentimento de enorme perda. Mas que perda seria essa? A perda de todos os objetos amados e de si mesmo. É nesse estágio que surge um grande sentimento de tristeza, pesar, descontentamento, por vir á tona a realidade em que vem enfrentando e à realidade pela qual irá se submeter em um leito hospitalar. É este o momento onde o paciente começa a se ocupar com as coisas que estão à sua frente e não com as que ficaram para trás. Dando inicio à próxima fase.
Aceitação: Esse é o estágio onde o paciente aceita o seu destino: a morte. É o momento onde literalmente o paciente pára de lutar e resistir contra a morte (e/ou a doença terminal), começando a ter o desejo de “repousar em paz”.
A duração de cada estágio varia de pessoa para pessoa, sendo que um dará seguimento ao outro. No entanto, a única coisa que persiste em todos os estágios é a esperança. E esta persiste até mesmo naqueles pacientes que mais encaram a realidade e àqueles que mais estão conformados com sua fase terminal. Dentro do coração de cada um deles, por pior que estejam, ainda existe a esperança de alguma cura ou de algum avanço cientifico que atribua à favor de uma melhora em sua doença, ou ainda a esperança de algum medicamento que os cure, ou ainda a esperança de que tudo seja apenas um pesadelo. Contudo, essa esperança é muito válida sobre o paciente, pois é o que os mantêm e os sustenta dia-a-dia; é o que os serve de conforto diante de tanto sofrimento.
Também deve ser levado muito em consideração o aspecto familiar sobre o paciente. Que também entra nesse jogo de sofrimento, sentimento de perda, situações rotineiras que se complicaram pela hospitalização do paciente; muitas vezes trazendo mudanças e efeitos drásticos no lar, envolvendo a família desde o inicio da enfermidade do paciente até após a morte do mesmo.  A família tem que encontrar maneiras de se estruturar e se adaptar com toda a situação que a cerca, e isso não é uma tarefa fácil, leva tempo, e enquanto a família tentar buscar novamente o equilíbrio do lar é necessário que os amigos e outras pessoas mais próximas os ajudem a passar por esses devidos tempos de crises e de dificuldades que o cerca. Ou seja, quando o paciente atravessa os estágios, a família e os pacientes mais próximos também sentem a mesma reação emocional (como a raiva, o ressentimento, e etc). E quando chegar a morte desse paciente, é importante que a família respeite o tempo de luto que eles mesmo precisam vivenciar, isto é, que a família chore, desabafe com outras pessoas a dor que sente, grite (se necessário), converse e exteriorize seus sentimentos; pois esses fatores contribuem para superar o choque e o pesar, preparando individualmente cada um da família para uma aceitação gradual.
E diante de tudo o que foi exposto aqui, é bom dar relevância em alguns aspectos como ao fato de que é necessário que:
- Os médicos saibam o jeito certo de contar a notícia a seus pacientes, contando o diagnóstico sem rodeios e abertamente, mas deixando portas abertas à esperança, quanto ao uso de novos medicamentos, novos tratamentos, novas técnicas e pesquisas;
- Os parentes dêem abertura para que os pacientes expressem livremente a sua dor, permitindo com que exteriorize seu pesar, pois dessa forma o paciente aceitará mais facilmente a situação em que se encontra. Levando em consideração que, é importante que os amigos e parentes estejam próximos a ele nesse momento;
- Deve haver uma boa comunicação entre o paciente e a família, não relutando em falar abertamente sobre os assuntos da morte e do morrer;
Entre outros fatores.
Tomando partida de todos os pressupostos descritos acima e diante do livro de Elisabeth Kübler-Ross, é devidamente perceptível o quanto somos finitos e o quanto nossa vida é limitada; o quanto somos destinados a nascer, crescer e morrer; o quanto a vida é como um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece; e o quanto os dias do homem são como a sombra que passa. No entanto, é importante salientar sobre o poder que o ser humano tem em escrever sua história de vida, onde todos são capazes de traçar sua biografia. Levando em consideração isto, o ser humano deveria repensar em suas práticas de vida, e talvez a partir daí gerar em si mesmo novos modos de agir, aproveitando de uma maneira saudável o curto espaço de tempo que ainda nos resta para viver.


  
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

KÜBLER-ROSS, ELISABETH. Sobre a morte e o morrer. [s.n.] Martins Fontes. São Paulo, 2005.


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